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	<title>Arquivos Inspirações - Compassio Saúde Mental</title>
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	<title>Arquivos Inspirações - Compassio Saúde Mental</title>
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		<title>Terapia no envelhecimento</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Apr 2022 14:50:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Embora eu atenda adolescentes, adultos e idosos, não por acaso, tenho notado um aumento expressivo na quantidade de pacientes com mais de 60 anos que tem chegado ao consultório. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil será, até 2025, o sexto país do mundo em número de idosos. Por isso, é [&#8230;]</p>
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<p>Embora eu atenda adolescentes, adultos e idosos, não por acaso, tenho notado um aumento expressivo na quantidade de pacientes com mais de 60 anos que tem chegado ao consultório. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil será, até 2025, <strong>o sexto país do mundo em número de idosos</strong>. Por isso, é comum perceber não apenas a busca pela melhoria da qualidade de vida dessa parte da população, como também uma maior preocupação com a saúde mental dessa faixa etária, o que tem gerado, consequentemente, o <strong>crescimento da procura pela psicoterapia</strong>.</p>



<p>A partir da minha experiência em consultório, tenho notado que é muito comum que familiares procurem atendimento psicológico para seus parentes idosos a partir das mais diversas demandas, que vão desde a sensibilização em relação a diagnósticos bastante comuns na fase de envelhecimento como é o caso das Demências (especialmente a Doença de Alzheimer), do Parkinson, do Diabetes, entre outros, até relatos de Depressão causada pela perda de pessoas próximas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>No entanto, se esses são os principais motivos da procura pela psicoterapia, no caso dos idosos, eles não são os únicos aspectos a serem tratados. A psicoterapia voltada para pacientes idosos pode ter objetivos bem mais amplos, como <strong>melhorar a qualidade de vida, de maneira geral; lidar com questões relacionadas à solidão e ao luto, quando é o caso; além de elaborar mudanças que podem gerar ansiedade e frustração, se não forem tratadas, como é o caso daquelas associadas aos papéis sociais e familiares ocupados pelo idoso.</strong></p>



<p><em>“Me aposentei! E agora? O que vou fazer da vida? Aproveito minha aposentadoria sem culpa ou continuo trabalhando para complementar minha renda, mas na medida das minhas possibilidades? Será que consigo um trabalho com essa idade? ”; “Fiquei viúvo (a), não quero viver sozinho (a), mas também não quero morar com os meus filhos, gosto da minha casa! Como resolver esse impasse? ”; “Eu sempre quis viajar pelo mundo, agora que meus filhos são independentes e que não preciso mais trabalhar, vou realizar meu sonho! ”; “Me aposentei, mas ainda estou vivo (a)! Quero ter uma vida ativa: sair para me divertir com amigos (as), cursar a faculdade que eu não pude fazer quando era mais novo (a), fazer dança de salão, namorar. ”</em></p>



<p>Além desses aspectos, uma pessoa com mais de 60 anos pode ter sintomas e queixas relacionadas a outras questões que não o envelhecimento. As estruturas de personalidade não nos abandonam quando a idade avança e a psicoterapia é sempre eficaz nos mais diversos casos.</p>



<p>O atendimento psicoterápico, no caso dos idosos, como em todos os casos, visa a acolher e ajudar o paciente na elaboração de suas fragilidades e sofrimentos como também auxilia em seu autoconhecimento, ampliando, assim, sua percepção sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre o futuro, a partir de novas perspectivas.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Por Fabiana Moura &#8211; Psicóloga</em></p>



<p><strong>Fonte:</strong></p>



<p><em>Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Tradução Suzana Gontijo – Brasília: Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), 2005.</em></p>
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		<title>Terapia Cognitiva Pós-Racionalista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cliente]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Feb 2022 20:26:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Terapia Cognitiva Pós-Racionalista é um modelo psicoterápico proposto pelo psiquiatra italiano Vittorio Guidano, entre o final dos anos 80 e início dos 90 (séc. XX). Está entre as terapias cognitivas porque não concebe a mente como passiva, simples processadora de informações, percebe-a como ativa, capaz de organizar as experiências vividas não somente através de [&#8230;]</p>
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<p>A Terapia Cognitiva Pós-Racionalista é um modelo psicoterápico proposto pelo psiquiatra italiano Vittorio Guidano, entre o final dos anos 80 e início dos 90 (séc. XX). Está entre as terapias cognitivas porque não concebe a mente como passiva, simples processadora de informações, percebe-a como ativa, capaz de organizar as experiências vividas não somente através de explicações cognitivas, mas também por meio das <strong>emoções e dos estilos afetivos</strong>, extraindo deles significados que darão origem à identidade dos sujeitos &#8211; por isso, é pós-racionalista.</p>



<p>Diferente do modelo cognitivo comportamental clássico, proposto por Aaron T. Beck, que pressupõe a existência de uma realidade única (objetiva), influenciando o cliente transformar suas crenças disfuncionais em crenças ditas adaptativas (modelo racionalista), a terapia cognitiva pós-racionalista concebe a realidade como pluridimensional e subjetiva, dá protagonismo ao cliente, propondo que ele mesmo realize a reconstrução de sua experiência imediata por meio da auto-observação. <strong>Quanto maior a consciência de si, melhor a organização da experiência imediata e maior a possibilidade de reorganização pessoal.</strong> </p>



<p><strong>Principais conceitos</strong>:</p>



<p><strong><em>Relação terapêutica:</em></strong> estabelecida entre terapeuta e cliente, por meio de bases afetivas e seguras, vai além da simples exploração pessoal.</p>



<p><strong><em>Auto-observação:</em></strong> método em que o terapeuta conduz estrategicamente o cliente a reconstruir sua experiência imediata e, com isso, a se auto-oganizar.</p>



<p><strong><em>Organização de Significado Pessoal (OSP):</em></strong> conceito criado a partir do vínculo estabelecido entre a criança e os pais (Bowlby &#8211; Teoria do Apego). Esse vínculo é o principal modelador da identidade pessoal do sujeito.</p>



<p>Para Guidano, existem quatro organizações de significado pessoal que darão sentido ao desenvolvimento emocional e à construção do Self. São as OSP’s depressiva, fóbica, obsessiva e de desordem alimentar (dap).</p>



<p>“Na <em>OSP depressiva</em>, a tonalidade emotiva relaciona-se com experiências que se caracterizam pela trama afetiva de abandono ou perda.”<br>“Na <em>OSP fóbica</em>, o padrão de apego é evitativo e a tonalidade emocional relaciona-se com o medo de não conseguir desempenhar o que se almeja.”<br>“Na <em>OSP obsessiva</em>, a tonalidade emotiva é dada pela dualidade e pelo padrão de apego ambivalente.”<br>“No caso da <em>OSP dap</em>, temos um padrão de apego ambivalente, produzindo como tonalidade emocional básica o medo de desagradar.”<br></p>



<p class="has-text-align-right"><br><em>Por Fabiana Moura &#8211; Psicóloga</em></p>



<p></p>



<p>Fonte:</p>



<p>LIMA A. T. ALVES, D. L. As Dimensões do Self na Terapia Cognitiva Pós- Racionalista.</p>



<p>Revista Brasileira de Psicoterapia, Porto Alegre, v. 22, n. 3, p. 81-93, mai 2020. Disponível em: http://rbp.celg.org.br/detalhe_artigo.asp?id=356 Acesso em: 16 fev. 2022.</p>
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		<title>Sentir faz parte.</title>
		<link>https://compassiosaudemental.com.br/post-5-ut-enim-ad-minim-veniam/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[CriaTec]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Jan 2021 20:13:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inspirações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há quem pense que a meta da psicoterapia é deixar de sentir emoções desagradáveis. Quem dera se nós psicóloges tivéssemos a fórmula mágica para uma vida baseada apenas em felicidade! Sem dúvidas já teríamos conquistado o mundo e, acredito eu, isso tornaria mais fácil a busca pelo cuidado em saúde mental. Porém, é preciso sentir. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há quem pense que a meta da psicoterapia é deixar de sentir emoções desagradáveis. Quem dera se nós psicóloges tivéssemos a fórmula mágica para uma vida baseada apenas em <strong>felicidade</strong>! Sem dúvidas já teríamos conquistado o mundo e, acredito eu, isso tornaria mais fácil a busca pelo cuidado em saúde mental. Porém, é preciso <strong>sentir</strong>.</p>



<p>A famosa frase de Descartes <em>“Penso, logo existo”</em>, poderia ser facilmente adaptada para <em>“Existo, logo sinto”</em>. As emoções são inerentes à vida, elas são a nossa bússola e indicam não só para onde ir, mas de onde devemos nos afastar.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-joshua-abner-3605015-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-201" srcset="https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-joshua-abner-3605015-1024x683.jpg 1024w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-joshua-abner-3605015-300x200.jpg 300w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-joshua-abner-3605015-768x512.jpg 768w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-joshua-abner-3605015-1536x1024.jpg 1536w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-joshua-abner-3605015-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Post Blog &#8211; Compassio espaço de saúde mental</figcaption></figure>



<p>Sentimentos como felicidade, satisfação e gratidão nos mostram o que nos faz bem e deve estar inserido, de alguma forma, na nossa vida. E, não me entendam mal, mas não estou me referindo aqui somente às grandes felicidades e satisfações, como ganhar na Mega-Sena, encontrar o amor da vida ou conseguir uma importante promoção no trabalho. Me refiro também àqueles momentos que passam quase despercebidos como falar com uma pessoa querida, tomar um café ou receber um bom dia. Embora, muitas vezes, nem enxerguemos esses momentos, eles estão lá e estamos sentindo.</p>



<p>Contudo, a grande orquestra do sentir também é composta por algumas emoções que, por vezes, evitamos. Ansiedade, tristeza, raiva são fundamentais para a nossa existência. Assim como as emoções positivas, as emoções negativas são temporárias, ainda que muitas vezes pareçam durar uma eternidade! E, mais importante, elas nos <strong>GUIAM.</strong> Nos afastam do que nos faz mal, nos mostram o que é realmente importante para nós.</p>



<p>Portanto, sentir não é um problema, seja lá qual for a emoção. O que a torna um problema é como reagimos a ela, quando a diminuímos ou evitamos. A emoção SEMPRE tem uma razão e SEMPRE deixa uma mensagem importante sobre o que realmente importa para nós. Quando a calamos, ficamos perdidos.</p>



<p>É preciso se autorizar, se permitir sentir. E, ao sentir, é necessário compreender: <em>qual a mensagem que essa emoção me traz hoje? Por que ela está aqui?</em> Quando uma pessoa amada está passando por um momento difícil, o que tendemos a fazer? Dizer que o que ela sente é uma besteira e que ela não deveria estar assim? Seria cruel, certo? Inúmeras vezes fazemos isso com nós mesmos e ISSO faz com que a emoção fique ali, como um alarme disparado, tentando cumprir o seu papel.</p>



<p>Bom, não espero que esse humilde e reduzido texto baste para que você lide com as suas emoções. Mas espero trazer uma reflexão que te faça, ao menos, percebê-las, e ter a clareza de que o papel da terapia é tornar, em trabalho conjunto, essa orquestra mais harmônica para uma vida que valha a pena, apesar de.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Nathálya Ribeiro &#8211; Psicóloga</em></p>
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		<title>Saúde Mental no primeiro lugar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[CriaTec]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Jan 2021 20:12:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inspirações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Simone Biles, estupenda atleta estadunidense e referência na ginástica artística, esporte de altíssimo grau de dificuldade e nível de exigências pessoais, possuidora de conquistas que dispensam comentários. Biles recentemente foi eleita pela Revista People como uma das personalidades do ano, mas não por suas já habituais conquistas, mas por uma decisão pessoal que foi além [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Simone Biles, estupenda atleta estadunidense e referência na ginástica artística, esporte de altíssimo grau de dificuldade e nível de exigências pessoais, possuidora de conquistas que dispensam comentários.</p>



<p>Biles recentemente foi eleita pela Revista <em>People</em> como uma das personalidades do ano, mas não por suas já habituais conquistas, mas por uma decisão pessoal que foi além dos <strong>limites</strong> do ginásio.</p>



<p>Em plena Olímpiadas, competição que atletas treinam durantes anos, por quase o dia inteiro, que requer um severo grau de abdicação pessoal em prol da busca pela participação no evento, Biles, como favorita ao ouro nas modalidades nas quais competia, desistiu de competir em três de suas categorias, priorizando sua <strong>saúde mental,</strong> e por conseguinte, física.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="876" height="484" src="https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/49471_5699AB5F9C2277AB-2.jpg" alt="" class="wp-image-204" srcset="https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/49471_5699AB5F9C2277AB-2.jpg 876w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/49471_5699AB5F9C2277AB-2-300x166.jpg 300w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/49471_5699AB5F9C2277AB-2-768x424.jpg 768w" sizes="(max-width: 876px) 100vw, 876px" /><figcaption>Post Blog &#8211; Compassio espaço de saúde mental</figcaption></figure>



<p>Não era um evento qualquer, era o local para o qual estavam apontados todos os holofotes. Não era representando um país que já estava feliz “somente” por sua participação, mas um que cobra e está acostumado a receber o lugar mais alto do pódio. &nbsp;Eram anos de esforço imenso reduzidos praticamente a pó. Mas mesmo assim ela decidiu não competir.</p>



<p>Só que o cenário posterior a sua decisão, talvez tenha sido tão difícil quanto os anos de treinamento. Egoísta e covarde foram os adjetivos utilizados. E Biles, quando tomou sua decisão, sabia que isso ocorreria. Mas então, por quê?</p>



<p>De forma objetiva, com a saúde mental abalada, existia um sério risco da ocorrência de lesões definitivas, pois estavam ocorrendo os chamados “<em>Twisties</em>”. Não era apenas um medo de decepcionar sua torcida ou tornar realizado quem torcia por seu fracasso, mas uma espécie de vertigem que prejudicava seu equilíbrio noção de espaço, o que em um esporte com a ginástica, poderia ser, literalmente, fatal.</p>



<p>Somente esse risco já bastaria para sua desistência, mas sua decisão foi transformada por alguns em um debate para tratar de importantes temas de uma forma somente a corroborar com as próprias convicções. Utilizou-se sua situação extrema para “atacar” um sociedade que, segundo alguns críticos, está formando cada vez pessoas menos resilientes, utilizando uma infinidade de exemplos de atletas que superaram dificuldades durante a competição, como o notório caso da suíça Gabriela Andersen-Schiess, maratonista, que nas Olímpiadas de 1984 chegou a linha de chegada cambaleante e totalmente fora de si devido a desidratação, em épica cena (re)transmitidas em demasia vezes até hoje, uma efetiva “heroína olímpica”.</p>



<p>Só que se esquecem ou desconhecem que a própria Gabriela condena sua atitude e explica que não, ela não estava em condições de decisão e sim, ela absurdamente colocou sua vida em risco. Não foi somente superação, foi quase um sacrifício, que ficou bonito na frente das câmeras, mas que poderia ter destruído uma família. Ah, mas poderia, não ocorreu, dirão alguns. Mas são casos fora da curva que muitos utilizam para validar ações que resultam em sérios erros.</p>



<p><strong>Aceitar os limites, também é superação</strong>. Não confundam como uma ode ao fracasso sem persistência, pois essa é uma linha nem tão tênue que o “<em>coachismo</em>” do “trabalhem enquanto os outros dormem” insiste em desconsiderar. Um filho prefere sua mãe viva sem completar uma prova do que uma heroína olímpica ausente.</p>



<p>Biles com sua decisão não diz para as pessoas não se esforçarem ou desistirem facilmente, até porque não são comuns pessoas que aguentam tão densa rotina do esporte de alto rendimento. O que ela traz em sua atitude é que há vida além do seu trabalho, que cada pessoa é mais do que sua atividade define e principalmente que a <strong>saúde mental</strong>, importa. As entidades esportivas ou as grandes empresas devem sim focar no alto rendimento, pois o belo se encontra na excelência, mas não somente nela. O caminho percorrido não pode conter só romantizados espinhos. E que é normal cair, mas que ter vergonha de admitir que precisa de ajuda, não deve ser o padrão.</p>



<p>Um atleta não é só um atleta. O que se vê nas telas, no pódio, é o resultado de um processo, mas não um definidor de caráter. Há muito por detrás da vitória e da derrota, e existe mais ainda dentro da pessoa. Acolher e respeitar decisões como a de Biles serve para ajudarmos a formar um ambiente onde as pessoas podem falar de seus medos, reclamar de suas pressões serem julgadas, ao invés de segurar até um devastador transbordar. Tentar relativizar isso ou fazer parecer que se está tentando <em>glamourizar</em> o fracasso só reafirma o quanto ainda temos que caminhar para nos tornarmos uma <strong>sociedade saudável</strong>.</p>



<p>O que deve ficar é que o conteúdo mental de cada um vai muito além dos limites do corpo físico e do que aparece nas ações cotidianas e que cada mente é um potencial agente transformador da sociedade. E principalmente que enquanto negarmos tal condição, teremos cada vez mais clínicas cheias de “Gabrielas Andersens”, enquanto a sociedade precisa mais de “Simones Biles”.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Eduardo Mendes &#8211; Consultor jurídico</em></p>
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		<title>Sobre vitórias e vitórias</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2021 20:11:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inspirações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passamos a vida toda correndo atrás dos grandes feitos, épicas conquistas que servirão de exemplo para futuras gerações e pelas quais seremos reconhecidos. Mas e o caminho para o pote de ouro? Deixar de vivenciar ele em prol de algo longínquo e incerto, o que nos traz? E mais, será que nos reduzirmos, limitarmos nosso [&#8230;]</p>
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<p>Passamos a vida toda correndo atrás dos grandes feitos, épicas conquistas que servirão de exemplo para futuras gerações e pelas quais seremos reconhecidos.</p>



<p>Mas e o<strong> caminho</strong> para o pote de ouro? Deixar de vivenciar ele em prol de algo longínquo e incerto, o que nos traz? E mais, será que nos reduzirmos, limitarmos nosso significado a busca por uma vitória específica, não significaria também uma mitigação do que poderíamos ser no decorrer do <strong>processo</strong>?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="700" src="https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-photo-59197-1024x700.jpeg" alt="" class="wp-image-207" srcset="https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-photo-59197-1024x700.jpeg 1024w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-photo-59197-300x205.jpeg 300w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-photo-59197-768x525.jpeg 768w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-photo-59197-1536x1051.jpeg 1536w, https://compassiosaudemental.com.br/wp-content/uploads/2022/01/pexels-photo-59197.jpeg 1880w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Post Blog &#8211; Compassio espaço de saúde mental</figcaption></figure>



<p>Esse tipo de visão está demasiadamente presente em nossa sociedade, uma espécie de raso uso da famosa expressão “os fins justificam os meios”. Ela serve para justificar padrões que são dolorosos de serem modificados. Vitórias raras ganham status de heroísmo que fazem parecer que o sofrimento, as perdas no caminho, compensam tudo. Uma criança que consegue, contra todo o prognóstico futuro, chegar a uma profissão com alto retorno financeiro não deveria ser vista somente pela ótica do <em>“trabalhe enquanto eles dormem”</em>. Essa concepção é rasa demais para explicar, na verdade, qualificar, uma pessoa. Exceções que se afirmam pelo fim não devem ser vistas como padrões a serem seguidos, ainda mais quando reafirmam ataques ao <strong>desenvolvimento saudável</strong>.</p>



<p>As histórias dos que fracassam raramente servem. A serventia procede do que passa a mensagem que se um pode, todos podem, fornecendo a impressão de que basta querer, de que a culpa pela derrota é somente sua e que não importa o que se perde no processo. &nbsp;É uma lacuna benéfica ao <em>status quo</em>, que deixa passar, na medida de um conta-gotas, algum pouco afortunado, para manter a esperança dos outros. Que atenta contra a saúde mental, ao mesmo tempo que reafirma a importância dela no processo.</p>



<p>Essa visão que deixa à margem <strong>experimentar o caminho</strong>, nega as várias possibilidades de sentir as conquistas do dia a dia, porque sempre existirá uma “grama do vizinho” aparentemente mais bonita, uma patológica excelência. O combustível para a vida deve estar além da gana pela típica vitória grandiosa, do controle excessivo na busca de um determinado fim, uma receita de bolo onde parece que todos possuem a mesma medida e que diminui a pessoa a somente seu trabalho.</p>



<p>Quando se perde muito no caminho, será que o que sobra consegue aproveitar o fruto de tanto esforço? Deixar de vivenciar emoções, perceber erros e acertos, experenciar as dores e os afagos do desenvolvimento com certeza não resultam em uma pessoa mais saudável, só, com sorte, em alguém conformado, que soterrou as próprias vontades e virtudes.</p>



<p class="has-text-align-right"><em><em>Eduardo Mendes &#8211; Consultor jurídico</em></em></p>
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